A greve nas Instituições Federais de Ensino (IEF) completa três meses nesta sexta-feira (17). A paralisação teve início no dia 17 de maio e atinge no momento 56 universidades federais e quase 90% dos Institutos Federais.
O movimento foi ampliado com a greve dos Estudantes e também com o início, em junho, da paralisação nas bases do Sinasefe e da Fasubra, unificando a luta dos docentes, estudantes e técnicos administrativos pela Educação Pública de qualidade. Hoje o movimento grevista representa a maior paralisação no Setor da Educação Federal nos últimos dez anos, demonstrando o descontentamento em relação às condições de trabalho, ensino, permanência e denunciando a precariedade nas IFE.
Apesar das investidas do governo federal buscando enfraquecer e dividir as categorias, a mobilização segue forte, em resposta ao autoritarismo do governo federal em tentar empurrar aos docentes um acordo firmado com uma entidade que não representa a categoria.
“O momento é duro. O governo suspendeu unilateralmente as negociações com a categoria, firmando um simulacro de acordo, que não atende as nossas reivindicações e os motivos que nos levaram à greve. Insistimos pela reabertura de negociações e já apresentamos nas reuniões os principais pontos da carreira que queremos discutir, inclusive alguns que não acarretam em impacto no orçamento”, diz Marinalva Oliveira, presidente do ANDES-SN.
Pela reabertura de negociação
Nas duas últimas semanas, os Comandos Nacional e Locais de Greve do ANDES-SN realizaram diversas ações com o intuito de pressionar o governo a reabrir negociação com a categoria.
Nos estados, além de passeatas, panfletagem, aulas públicas, ato-shows, os docentes buscaram os deputados e senadores em seus estados, solicitando que os mesmos intervenham junto aos Ministros Aloizio Mercadante (MEC) e Miriam Belchior (Planejamento) pela retomada do diálogo com a categoria. Os reitores também foram procurados nas Universidades e Institutos para que exerçam pressão junto ao Ministério da Educação.
Em Brasília, o CNG do ANDES-SN enviou ofício aos ministros solicitando audiência para a retomada de negociação. A pedido dos docentes foram realizadas reuniões com a Associação dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), com o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) e com o Conselho Nacional dos Dirigentes das Escolas de Educação Básica (Condicap), na qual foi solicitada a interveniência das entidades junto ao MEC.
Também aconteceu, por solicitação do CNG do ANDES-SN, uma audiência com os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Cristovam Buarque (PDT-DF). Durante a reunião com mais de 80 docentes, eles se comprometeram a cobrar do governo federal a reabertura de negociações com os docentes federais em greve.
Os parlamentares irão ainda articular o participação de outros senadores e também solicitar uma reunião tanto com o MEC quanto com o Planejamento, para cobrar uma solução para o impasse. Um novo encontro deve acontecer na próxima semana, com a presença de deputados federais, para ampliar a comissão e o apoio parlamentar aos professores em greve.
Na quinta-feira (16), às vésperas de completar três meses em greve, os docentes foram ao Palácio do Planalto entregar uma carta à presidente Dilma Rousseff, na qual cobram da chefe de estado interveniência pela reabertura imediata de negociações. No documento, recordam que, durante sua campanha eleitoral, a presidente ressaltou que não “se pode estabelecer com o professor uma relação de atrito quando esse pede melhores salários, recebê-lo com cassetete ou interromper o diálogo”. Leia aqui a Carta à Presidente Dilma Rousseff.
Nesse mesmo dia, em um ato simbólico, os professores fizeram o enterro e ressurreição da educação pública, com cortejo fúnebre que partiu do MEC e seguiu até o Congresso Nacional. Confira aqui as fotos.
O que os docentes querem
Além de melhoria nas condições de trabalho e ensino nas instituições, com atendimento das pautas locais, os docentes federais reivindicam uma carreira única, mais simples, com 13 níveis e steps definidos, com valorização da titulação e do regime de trabalho, em especial a Dedicação Exclusiva, incorporação das gratificações e paridade entre ativos e aposentados. Veja aqui o plano de carreira proposto pelo ANDES-SN, aprovado por unanimidade no 30º Congresso do Sindicato Nacional.
“O governo trabalha com uma lógica diferente da nossa, com uma proposta que cria diferenciações internas na categoria, entre ativos e aposentados e entre docentes que exercem a mesma função em instituições diferentes. Inclusive com a desconstrução da lógica da dedicação exclusiva”, aponta Marinalva Oliveira.
Durante os trabalhos do GT Carreira, foram identificados pontos de divergência e convergência entre as propostas do ANDES-SN, do governo e das outras entidades do setor da educação.
Até o momento identificamos seis pontos de divergências muito agudos, mas que consideramos ser possível superá-los desde que a gente efetivamente negocie. Nós acreditamos que o conflito é possível de ser resolvido”, disse a presidente do Sindicato Nacional, ressaltando que os docentes sempre estiveram disponíveis à negociação.
Conheça aqui os pontos de divergência nas propostas.
Fonte: ANDES-SN (17/8/2012)
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Governo e técnicos administrativos das universidades federais não chegam a um acordo para pôr fim a greve
Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil
Brasília – As negociações entre o governo federal e técnicos administrativos de universidades federais continuam sem acordo. Hoje (16), durante reunião no Ministério do Planejamento, representantes do governo mantiveram a proposta de reajuste de 15,8% em três parcelas até 2015, além do atendimento de vários aspectos da carreira.
Os representantes da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) e do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) vão levar a proposta, que já havia sido rejeitada pela categoria, para assembleia e, até a próxima semana, os sindicalistas darão uma resposta ao governo.
De acordo com o coordenador-geral do Sinasefe, Gutemberg Almeida, uma nova reunião foi marcada para o próximo dia 22, quando também será feita uma plenária com servidores de vários lugares do país. “É complicado [dizer que vai haver acordo], pois o patamar de reajuste continua o mesmo. A categoria já havia rejeitado [a proposta], mas as coisas mudam e vamos esperar para ver o que a categoria vai decidir”, disse Almeida.
Para o secretário de relações de trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, a proposta do governo é boa, pois assegura a cerca 180 mil servidores a manutenção do poder de compra dos salários. Ele espera agora que os servidores “reconheçam o esforço feito pelo governo em um momento de conjuntura internacional bastante difícil” e aceitem a proposta. O impacto no Orçamento da proposta apresentada pelo governo seria de R$ 2,9 bilhões nos próximos três anos. Só para 2013, o custo atingiria R$ 670 milhões. A proposta inicial iria custar R$ 1,7 bilhão a mais na folha de pagamento.
Fonte: Agência Brasil (16/8/2012)
Repórter da Agência Brasil
Brasília – As negociações entre o governo federal e técnicos administrativos de universidades federais continuam sem acordo. Hoje (16), durante reunião no Ministério do Planejamento, representantes do governo mantiveram a proposta de reajuste de 15,8% em três parcelas até 2015, além do atendimento de vários aspectos da carreira.
Os representantes da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) e do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) vão levar a proposta, que já havia sido rejeitada pela categoria, para assembleia e, até a próxima semana, os sindicalistas darão uma resposta ao governo.
De acordo com o coordenador-geral do Sinasefe, Gutemberg Almeida, uma nova reunião foi marcada para o próximo dia 22, quando também será feita uma plenária com servidores de vários lugares do país. “É complicado [dizer que vai haver acordo], pois o patamar de reajuste continua o mesmo. A categoria já havia rejeitado [a proposta], mas as coisas mudam e vamos esperar para ver o que a categoria vai decidir”, disse Almeida.
Para o secretário de relações de trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, a proposta do governo é boa, pois assegura a cerca 180 mil servidores a manutenção do poder de compra dos salários. Ele espera agora que os servidores “reconheçam o esforço feito pelo governo em um momento de conjuntura internacional bastante difícil” e aceitem a proposta. O impacto no Orçamento da proposta apresentada pelo governo seria de R$ 2,9 bilhões nos próximos três anos. Só para 2013, o custo atingiria R$ 670 milhões. A proposta inicial iria custar R$ 1,7 bilhão a mais na folha de pagamento.
Fonte: Agência Brasil (16/8/2012)
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Professores da UFBA destituem a diretoria da APUB
Em assembleia histórica, categoria docente repudia práticas antidemocráticas do próprio sindicato, constituindo-se como importante exemplo para o movimento sindical nacional.
Os professores da Universidade Federal da Bahia realizaram, nesta quarta-feira, às 15h, na Faculdade de Arquitetura, uma assembleia para discutir a destituição da atual diretoria da APUB-sindicato, com a presença de 217 professores.
Para maior indignação dos presentes, antes de se iniciar a assembleia, um oficial de justiça apresentou uma liminar deferida pela Juíza Karina Freire Araújo de Carvalho da 28ª Vara do Trabalho de Salvador impedindo a votação referente à destituição e autorizando o uso de força policial caso a liminar não fosse cumprida. Os réus do processo são os membros do comando de greve que não poderiam conduzir a votação sob pena de pagamento de multa diária de 5 mil reais até o limite de 30 dias. Como a assembleia foi legitima e legalmente convocada pelos professores reunidos em assembleia no último dia 7, sob condução da própria diretora presidente da APUB, os professores filiados deram seguimento à assembleia e a dirigiram sem a participação dos membros do comando de greve.
Apesar da evidente tensão que a gravidade da destituição de uma entidade carrega, a assembleia correu com total tranquilidade. Todas as falas e avaliações reforçaram a necessidade da destituição da diretoria com base no seu flagrante desrespeito às deliberações da sua instância máxima: a assembleia geral. Desta forma, foi aprovada por ampla maioria a destituição imediata da diretoria. Apesar da atitude - considerada autoritária e violenta pelos professores - da diretoria da APUB de impedir alguns professores de se filiarem nos últimos dias, seus votos foram nominalmente incluídos. Para dar continuidade aos procedimentos após a destituição, foi constituída e votada uma comissão provisória, composta por 5 professores, para assumir o funcionamento da instituição e convocar novas eleições o mais rápido possível. A comissão foi empossada na própria assembleia, formada pelos profs. André Netto, Tomasoni e Osmário do IGEO, Ailton jr da POLI e Maurício Azevedo de Direito. Para o assombro de todos, a direção do sindicato procura incriminar a sua própria categoria, ao conduzir os conflitos existentes para esfera judicial. Porém, com a sua destituição e a constituição de uma nova comissão provisória para assumir o sindicato, os professores da UFBA esperam encontrar representatividade legítima e em sintonia com sua vontade soberana para conduzir com autonomia suas reivindicações.
Fonte: Comando de Greve dos Docentes da UFBA (15/8/2012)
Os professores da Universidade Federal da Bahia realizaram, nesta quarta-feira, às 15h, na Faculdade de Arquitetura, uma assembleia para discutir a destituição da atual diretoria da APUB-sindicato, com a presença de 217 professores.
Para maior indignação dos presentes, antes de se iniciar a assembleia, um oficial de justiça apresentou uma liminar deferida pela Juíza Karina Freire Araújo de Carvalho da 28ª Vara do Trabalho de Salvador impedindo a votação referente à destituição e autorizando o uso de força policial caso a liminar não fosse cumprida. Os réus do processo são os membros do comando de greve que não poderiam conduzir a votação sob pena de pagamento de multa diária de 5 mil reais até o limite de 30 dias. Como a assembleia foi legitima e legalmente convocada pelos professores reunidos em assembleia no último dia 7, sob condução da própria diretora presidente da APUB, os professores filiados deram seguimento à assembleia e a dirigiram sem a participação dos membros do comando de greve.
Apesar da evidente tensão que a gravidade da destituição de uma entidade carrega, a assembleia correu com total tranquilidade. Todas as falas e avaliações reforçaram a necessidade da destituição da diretoria com base no seu flagrante desrespeito às deliberações da sua instância máxima: a assembleia geral. Desta forma, foi aprovada por ampla maioria a destituição imediata da diretoria. Apesar da atitude - considerada autoritária e violenta pelos professores - da diretoria da APUB de impedir alguns professores de se filiarem nos últimos dias, seus votos foram nominalmente incluídos. Para dar continuidade aos procedimentos após a destituição, foi constituída e votada uma comissão provisória, composta por 5 professores, para assumir o funcionamento da instituição e convocar novas eleições o mais rápido possível. A comissão foi empossada na própria assembleia, formada pelos profs. André Netto, Tomasoni e Osmário do IGEO, Ailton jr da POLI e Maurício Azevedo de Direito. Para o assombro de todos, a direção do sindicato procura incriminar a sua própria categoria, ao conduzir os conflitos existentes para esfera judicial. Porém, com a sua destituição e a constituição de uma nova comissão provisória para assumir o sindicato, os professores da UFBA esperam encontrar representatividade legítima e em sintonia com sua vontade soberana para conduzir com autonomia suas reivindicações.
Fonte: Comando de Greve dos Docentes da UFBA (15/8/2012)
Após marcha, professores entregarão carta ao governo para reabertura de negociação
Do NE10
A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi ocupada por cerca de 10 mil servidores federais, na manhã desta quarta-feira (15), durante protesto pela reabertura das negociações com a categoria, em greve há três meses, no caso dos servidores da educação. Um novo ato está marcado para esta quinta-feira, após o qual será entregue uma carta à presidente Dilma Rousseff com as contra-propostas dos servidores. Em Pernambuco, haverá assembleia geral.
A avenida que fica em frente à Esplanada ficou tomada pelos manifestantes, que seguiram em marcha pela extensão do Eixo Monumental, ao som de marchinhas e palavras de ordem.
Nesta quinta está programada uma aula pública em frente ao Ministério da Educação (MEC). Após o ato, representantes do Comando Nacional de Greve do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (CNG/ANDES-SN) irão ao Palácio do Planalto entregar uma carta à presidente Dilma Rousseff, na qual pedem a reabertura de negociação.
Na semana passada, o Ministério da Educação reafirmou que as negociações estariam encerradas e que não haveria qualquer possibilidade de reabertura.
PERNAMBUCO - Está programada uma assembleia geral, nesta quinta-feira (16), às 13h30, no auditório do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA-UFPE). Os professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) rejeitaram, por unanimidade, a última proposta apresentada pelo Ministério do Planejamento que previa um rejuste variável de 25% até 40%.
Os professores estão em greve desde o dia 17 de maio. A categoria reivindica, além de reajuste salarial de 20,5% ainda neste ano, melhores condições de trabalho e reestruturação da carreira de docente.
A paralisação atinge também a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), além dos insitutos federais de ensino tecnólogico.
Fonte: NE 10 (15/8/2012)
A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi ocupada por cerca de 10 mil servidores federais, na manhã desta quarta-feira (15), durante protesto pela reabertura das negociações com a categoria, em greve há três meses, no caso dos servidores da educação. Um novo ato está marcado para esta quinta-feira, após o qual será entregue uma carta à presidente Dilma Rousseff com as contra-propostas dos servidores. Em Pernambuco, haverá assembleia geral.
A avenida que fica em frente à Esplanada ficou tomada pelos manifestantes, que seguiram em marcha pela extensão do Eixo Monumental, ao som de marchinhas e palavras de ordem.
Nesta quinta está programada uma aula pública em frente ao Ministério da Educação (MEC). Após o ato, representantes do Comando Nacional de Greve do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (CNG/ANDES-SN) irão ao Palácio do Planalto entregar uma carta à presidente Dilma Rousseff, na qual pedem a reabertura de negociação.
Na semana passada, o Ministério da Educação reafirmou que as negociações estariam encerradas e que não haveria qualquer possibilidade de reabertura.
PERNAMBUCO - Está programada uma assembleia geral, nesta quinta-feira (16), às 13h30, no auditório do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA-UFPE). Os professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) rejeitaram, por unanimidade, a última proposta apresentada pelo Ministério do Planejamento que previa um rejuste variável de 25% até 40%.
Os professores estão em greve desde o dia 17 de maio. A categoria reivindica, além de reajuste salarial de 20,5% ainda neste ano, melhores condições de trabalho e reestruturação da carreira de docente.
A paralisação atinge também a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), além dos insitutos federais de ensino tecnólogico.
Fonte: NE 10 (15/8/2012)
Governo federal e técnicos administrativos de universidades não entram em acordo e greve continua
Luciene Cruz
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O impasse entre governo federal e técnicos administrativos de universidades federais continua. Após cinco horas de reunião, representantes da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) e do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) mantiveram a rejeição à proposta do governo.
Segundo o coordenador-geral do Sinasefe, Gutermberg Almeida, houve avanços em alguns pontos, no entanto, o reajuste de 15,8%, fracionado até 2015, foi mantido pelo governo e o item travou a negociação. “Avançamos em alguns quesitos, mas o governo mantém o aumento de 15% em três anos e isso já foi recusado pela categoria. Entendemos que há possibilidades reais de melhorar essa proposta”, disse.
A coordenadora-geral do Fasubra, Janine Teixeira, endossou a insatisfação com o reajuste oferecido “A proposta que o governo manteve, a categoria já rejeitou. Essa oferta não tira as universidades da greve. Continuamos sem previsão de matrícula”, disse. Os técnicos administrativos do ensino superior defendem aumento de 15% para 2013 ou 25%, distribuído até 2015.
O secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, descartou reajuste além dos 15,8% oferecidos. “Não há espaço para avançarmos mais nesse índice. É a oferta final do ponto de vista orçamentário, o governo tem que lidar com outras negociações”, justificou.
Mesmo com a contrariedade da categoria, Mendonça acredita que o acordo está próximo. “O governo está convencido que a proposta foi muito boa. Acredito que estamos muito perto do desfecho”, disse. O secretário disse que o governo flexibilizou a proposta em dois itens.
A proposta apresentada pelo governo teria um impacto no Orçamento de R$ 2,9 bilhões nos próximos três anos. Só para 2013, o custo será R$ 670 milhões. A proposta inicial iria custar R$ 1,7 bilhão a mais na folha de pagamento. “Alguns percentuais foram melhorados. Houve avanço no aspecto de carreira e aumento no percentual de incentivos de qualificação”, explicou Mendonça. Uma nova reunião ficou agendada para amanhã (16), às 19h.
Fonte: Agência Brasil (15/8/2012)
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O impasse entre governo federal e técnicos administrativos de universidades federais continua. Após cinco horas de reunião, representantes da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) e do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) mantiveram a rejeição à proposta do governo.
Segundo o coordenador-geral do Sinasefe, Gutermberg Almeida, houve avanços em alguns pontos, no entanto, o reajuste de 15,8%, fracionado até 2015, foi mantido pelo governo e o item travou a negociação. “Avançamos em alguns quesitos, mas o governo mantém o aumento de 15% em três anos e isso já foi recusado pela categoria. Entendemos que há possibilidades reais de melhorar essa proposta”, disse.
A coordenadora-geral do Fasubra, Janine Teixeira, endossou a insatisfação com o reajuste oferecido “A proposta que o governo manteve, a categoria já rejeitou. Essa oferta não tira as universidades da greve. Continuamos sem previsão de matrícula”, disse. Os técnicos administrativos do ensino superior defendem aumento de 15% para 2013 ou 25%, distribuído até 2015.
O secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, descartou reajuste além dos 15,8% oferecidos. “Não há espaço para avançarmos mais nesse índice. É a oferta final do ponto de vista orçamentário, o governo tem que lidar com outras negociações”, justificou.
Mesmo com a contrariedade da categoria, Mendonça acredita que o acordo está próximo. “O governo está convencido que a proposta foi muito boa. Acredito que estamos muito perto do desfecho”, disse. O secretário disse que o governo flexibilizou a proposta em dois itens.
A proposta apresentada pelo governo teria um impacto no Orçamento de R$ 2,9 bilhões nos próximos três anos. Só para 2013, o custo será R$ 670 milhões. A proposta inicial iria custar R$ 1,7 bilhão a mais na folha de pagamento. “Alguns percentuais foram melhorados. Houve avanço no aspecto de carreira e aumento no percentual de incentivos de qualificação”, explicou Mendonça. Uma nova reunião ficou agendada para amanhã (16), às 19h.
Fonte: Agência Brasil (15/8/2012)
Reajuste maior a titulados é inegociável, diz Mercadante
CÉLIA FROUFE, EDUARDO RODRIGUES, ANNE WARTH, RENATA VERÍSSIMO E EDUARDO CUCOLO - Agência Estado
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou ser "inegociável" a determinação do governo de conceder maiores reajustes a professores com mestrado, doutorado e dedicação exclusiva. "Há um grande estímulo à titulação. Queremos incentivar o crescimento dentro da carreira e a academia é um ambiente de titulação", afirmou. Segundo ele, dois terços dos docentes, hoje, têm dedicação exclusiva.
Na avaliação de Mercadante, o governo apresentou a melhor proposta possível para o setor. "Não conheço nenhuma proposta melhor para os professores, tanto do setor público quanto do privado", disse, ressaltando que o professor com título que recebe um salário de até R$ 12 mil pode obter remuneração de R$ 17 mil em três anos.
O ministro salientou que o acordo fechado com os professores no ProInfo é o que será remetido ao Orçamento. "Estamos otimistas também com a possibilidade de fecharmos as negociações com os técnicos administrativos hoje", disse Mercadante. A partir daí, segundo ele, a tarefa será construir um calendário de reposição de aulas nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, para que os alunos não tenham prejuízos maiores do que tiveram até o momento.
Mercadante conversou com os jornalistas ao final do evento "Programa de Investimentos em Logística: Rodovias e Ferrovias". De acordo com ele, há uma carência de engenheiros no País porque o Brasil ficou, durante 20 anos, com uma taxa de investimento muito baixa. Isso levou os estudantes, conforme o ministro, a escolherem áreas não ligadas à produção e à tecnologia. "Este é um problema grave no Brasil. Já verificamos um aumento na demanda por engenheiros e o governo formata novos estímulos à entrada de alunos nessas áreas", relatou. Além disso, segundo Mercadante, há uma evasão relativamente grande dos estudantes da área de exatas no Brasil, porque existe uma deficiência na formação em matemática e também porque muitos acabam se integrando ao mercado de trabalho mais cedo, atraídos por ofertas de emprego em um mercado muito aquecido.
Fonte: Estadão.com.br (15/8/2012)
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou ser "inegociável" a determinação do governo de conceder maiores reajustes a professores com mestrado, doutorado e dedicação exclusiva. "Há um grande estímulo à titulação. Queremos incentivar o crescimento dentro da carreira e a academia é um ambiente de titulação", afirmou. Segundo ele, dois terços dos docentes, hoje, têm dedicação exclusiva.
Na avaliação de Mercadante, o governo apresentou a melhor proposta possível para o setor. "Não conheço nenhuma proposta melhor para os professores, tanto do setor público quanto do privado", disse, ressaltando que o professor com título que recebe um salário de até R$ 12 mil pode obter remuneração de R$ 17 mil em três anos.
O ministro salientou que o acordo fechado com os professores no ProInfo é o que será remetido ao Orçamento. "Estamos otimistas também com a possibilidade de fecharmos as negociações com os técnicos administrativos hoje", disse Mercadante. A partir daí, segundo ele, a tarefa será construir um calendário de reposição de aulas nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, para que os alunos não tenham prejuízos maiores do que tiveram até o momento.
Mercadante conversou com os jornalistas ao final do evento "Programa de Investimentos em Logística: Rodovias e Ferrovias". De acordo com ele, há uma carência de engenheiros no País porque o Brasil ficou, durante 20 anos, com uma taxa de investimento muito baixa. Isso levou os estudantes, conforme o ministro, a escolherem áreas não ligadas à produção e à tecnologia. "Este é um problema grave no Brasil. Já verificamos um aumento na demanda por engenheiros e o governo formata novos estímulos à entrada de alunos nessas áreas", relatou. Além disso, segundo Mercadante, há uma evasão relativamente grande dos estudantes da área de exatas no Brasil, porque existe uma deficiência na formação em matemática e também porque muitos acabam se integrando ao mercado de trabalho mais cedo, atraídos por ofertas de emprego em um mercado muito aquecido.
Fonte: Estadão.com.br (15/8/2012)
Greve de servidores federais na cidade atinge vários segmentos
Greve dos servidores públicos federais afeta vários setores em Uberaba, principalmente relacionados à Educação e Saúde. Até o momento estão parados os professores da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, estudantes, técnicos administrativos do Hospital de Clínicas, professores do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) e agentes da Polícia Federal. Todos reivindicam melhorias salariais e condições adequadas de trabalho. Quanto às negociações, até o momento em nenhuma das categorias houve avanço.
Em greve há quase três meses, os professores da Universidade Federal do Triângulo Mineiro prometem que somente retomam as atividades com uma proposta que atenda às reivindicações da categoria. Já foram realizados alguns encontros com a equipe do Governo Federal, propostas que, segundo eles, não atendem às solicitações. De acordo com Bruno Cursino, do comando de greve, 70% professores da instituição estão parados. “Somente não estão parados os profissionais da Engenharia, pois os cursos são anuais. Mas os demais estão em greve, e as aulas estão suspensas, pois não é possível começar um novo calendário escolar sem terminar o semestre, interrompido em maio”, explica Bruno.
Ainda segundo o professor, as aulas deverão ser repostas quando acabar a greve, mas, para isso, não há previsão. Até o momento, em todo país, apenas duas instituições federais de ensino superior encerraram a greve e voltaram às aulas. “Estamos tentando todos os meios para fazer uma negociação e chegar a um acordo final”, explica Bruno.
Outro setor que também está em greve há dois meses é o dos técnicos administrativos do Hospital de Clínicas. De acordo com Mirtes Reis, coordenadora-geral do Sinte-MED, 70% dos profissionais estão parados, atendendo em regime de escala, para não prejudicar as tarefas do hospital. “Nesta semana tivemos assembleia para discutir proposta do governo, que apresentou um reajuste de 15%, parcelados em três anos. A categoria, que pede reposição das perdas salariais de 22%, não aceitou a proposta e continua em greve”, explica Mirtes.
Já os agentes da Polícia Federal começaram a greve no na semana passada e desde então realizam manifestações na cidade. Reestruturação da carreira e melhoria salarial são as principais reivindicações da categoria. De acordo com o delegado sindical Alexandre Taveira, o atendimento ao público e emissão de passaportes estão suspensos e só ocorrem em casos emergenciais. “Atendemos à solicitação da presidente Dilma Rousseff e voltamos com os serviços em aeroportos e nas fronteiras. Mas, somente até esta quarta-feira, pois ela nos garantiu que vai nos apresentar uma proposta”, explica Taveira, ressaltando a greve foi deflagrada por todos os agentes, papiloscopistas e escrivães da PF, os quais representam 80% de todo o efetivo.
Fonte: Jornal da Manhã (15/8/2012)
Em greve há quase três meses, os professores da Universidade Federal do Triângulo Mineiro prometem que somente retomam as atividades com uma proposta que atenda às reivindicações da categoria. Já foram realizados alguns encontros com a equipe do Governo Federal, propostas que, segundo eles, não atendem às solicitações. De acordo com Bruno Cursino, do comando de greve, 70% professores da instituição estão parados. “Somente não estão parados os profissionais da Engenharia, pois os cursos são anuais. Mas os demais estão em greve, e as aulas estão suspensas, pois não é possível começar um novo calendário escolar sem terminar o semestre, interrompido em maio”, explica Bruno.
Ainda segundo o professor, as aulas deverão ser repostas quando acabar a greve, mas, para isso, não há previsão. Até o momento, em todo país, apenas duas instituições federais de ensino superior encerraram a greve e voltaram às aulas. “Estamos tentando todos os meios para fazer uma negociação e chegar a um acordo final”, explica Bruno.
Outro setor que também está em greve há dois meses é o dos técnicos administrativos do Hospital de Clínicas. De acordo com Mirtes Reis, coordenadora-geral do Sinte-MED, 70% dos profissionais estão parados, atendendo em regime de escala, para não prejudicar as tarefas do hospital. “Nesta semana tivemos assembleia para discutir proposta do governo, que apresentou um reajuste de 15%, parcelados em três anos. A categoria, que pede reposição das perdas salariais de 22%, não aceitou a proposta e continua em greve”, explica Mirtes.
Já os agentes da Polícia Federal começaram a greve no na semana passada e desde então realizam manifestações na cidade. Reestruturação da carreira e melhoria salarial são as principais reivindicações da categoria. De acordo com o delegado sindical Alexandre Taveira, o atendimento ao público e emissão de passaportes estão suspensos e só ocorrem em casos emergenciais. “Atendemos à solicitação da presidente Dilma Rousseff e voltamos com os serviços em aeroportos e nas fronteiras. Mas, somente até esta quarta-feira, pois ela nos garantiu que vai nos apresentar uma proposta”, explica Taveira, ressaltando a greve foi deflagrada por todos os agentes, papiloscopistas e escrivães da PF, os quais representam 80% de todo o efetivo.
Fonte: Jornal da Manhã (15/8/2012)
FHC apoia endurecimento de Dilma com servidores federais em greve
Para ex-presidente, governo passa por um momeno de dificuldade financeira e fiscal
Daiane Cardoso - Agência Estado
SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso saiu nesta terça em defesa da postura da presidente Dilma Rousseff em manter resistência às reivindicações dos servidores federais em greve. Em palestra promovida pelo Fundo Nacional da Qualidade (FNQ) em São Paulo na manhã desta terça-feira, 14, FHC lembrou que o governo Dilma enfrenta dificuldades financeiras e que sua situação é distinta do período governado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"A presidente Dilma está num momento de dificuldade financeira e fiscal e muita pressão dos funcionários que se habituaram no governo Lula, que tinha mais folga (orçamentária), a receber aumentos", disse o ex-presidente após participar do Seminário Internacional em Busca da Excelência. Para o ex-presidente, por Dilma não ter a mesma condição financeira do seu antecessor, ela foi obrigada a enrijecer com o servidores. "Não vejo como ela não pudesse enrijecer", avaliou FHC.
O endurecimento do governo em relação às paralisações também ganhou o apoio dos empresários. Para o presidente da Fiat Brasil, Cledorvino Belini, com a redução de juros, os funcionários públicos viram as chances de impor sua agenda de reivindicação.
"Os funcionários públicos perceberam um espaço no orçamento e eles querem conquistar esse espaço, até de forma abusiva", concluiu. Já para o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, o debate em torno das paralisações das categorias federais virou "uma guerra de reivindicação". "O debate não está racional, está reivindicatório", comentou.
Fonte: Estadão.com.br (14/8/2012)
Daiane Cardoso - Agência Estado
SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso saiu nesta terça em defesa da postura da presidente Dilma Rousseff em manter resistência às reivindicações dos servidores federais em greve. Em palestra promovida pelo Fundo Nacional da Qualidade (FNQ) em São Paulo na manhã desta terça-feira, 14, FHC lembrou que o governo Dilma enfrenta dificuldades financeiras e que sua situação é distinta do período governado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"A presidente Dilma está num momento de dificuldade financeira e fiscal e muita pressão dos funcionários que se habituaram no governo Lula, que tinha mais folga (orçamentária), a receber aumentos", disse o ex-presidente após participar do Seminário Internacional em Busca da Excelência. Para o ex-presidente, por Dilma não ter a mesma condição financeira do seu antecessor, ela foi obrigada a enrijecer com o servidores. "Não vejo como ela não pudesse enrijecer", avaliou FHC.
O endurecimento do governo em relação às paralisações também ganhou o apoio dos empresários. Para o presidente da Fiat Brasil, Cledorvino Belini, com a redução de juros, os funcionários públicos viram as chances de impor sua agenda de reivindicação.
"Os funcionários públicos perceberam um espaço no orçamento e eles querem conquistar esse espaço, até de forma abusiva", concluiu. Já para o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, o debate em torno das paralisações das categorias federais virou "uma guerra de reivindicação". "O debate não está racional, está reivindicatório", comentou.
Fonte: Estadão.com.br (14/8/2012)
Maioria das universidades federais ainda não discute reposição de aulas
Calendário foi cobrado pelo Ministério da Educação, mas a maior parte das instituições federais de ensino superior segue em greve
Apesar de solicitação feita pelo Ministério da Educação (MEC), a maior parte das universidades e institutos federais ainda não discute o calendário de reposição de aulas. A informação é do presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Carlos Edilson de Almeida Maneschy, também reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Proposta recusada: Técnicos de universidades querem reajuste de 15% em 2013
Protesto: Servidores federais ateiam fogo em pneus e bloqueiam acesso à UFRJ
Calendário: Mesmo antes do fim da greve, MEC cobra reposição das aulas de reitores
O MEC informou que as universidades estão em contato com os seus respectivos conselhos superiores para discutir a questão e ainda responderam à pasta.
Segundo Maneschy, os reitores aguardam o desdobramento das negociações, já que apenas três instituições votaram em assembleia pelo fim da greve: Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Instituto Federal de Educação Profissional e Tecnológica do Paraná (IFPR).
Na última quinta-feira (9), o MEC encaminhou circular aos reitores reiterando que as negociações com os professores estão encerradas e pedindo envio dos planos de reposição de aulas à pasta. De acordo com Meneschy, não há orientação unificada da Andifes sobre como responder à solicitação devido à autonomia universitária.
Meneschy disse que os planos de reposição não vêm sendo debatidos em razão da incerteza quanto aos rumos da paralisação. "Só as instituições que voltaram [estão fazendo calendário]. As outras, nenhuma está discutindo. A minha não está", disse.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do MEC para saber quantas universidades já atenderam ao pedido de encaminhar o plano de reposição. Até o fechamento desta matéria, o órgão não havia respondido.
Greve continua
No dia 31 de julho, o Ministério da Educação assinou acordo para o fim da greve com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), um dos quatro sindicatos que representam os docentes. O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) se recusaram a ratificar a proposta e orientaram as bases a endurecer o movimento.
Desde então, assembleias de professores em vários campus votaram pelo prosseguimento da greve. Segundo o Andes-SN, 57 instituições rejeitaram a proposta governamental e seguem paralisadas. Nesta segunda-feira (13), a reportagem da Agência Brasil esteve na Universidade de Brasília (UnB) e constatou que as atividades letivas continuam suspensas. Estudantes como Guilherme Bruno, 19 anos, aluno do terceiro semestre de Física, não tiveram qualquer informação sobre possível retomada das aulas. "Estou sem aula desde 27 de maio, está tudo parado. A negociação está bem desorganizada, não estamos entendendo o caminhar da greve", disse.
De acordo com José Américo Soares Garcia, decano (professor mais antigo de uma universidade, que pode presidir a um conselho) de graduação da UnB, o calendário da instituição continua suspenso e os dirigentes aguardam novas assembleias da Associação dos Docentes da UnB (Adunb) sobre a paralisação. "A gente tem um calendário de reposição provisório, que vai sendo atualizado a cada semana. Quando for decidido o fim da paralisação, ele será imediatamente encaminhado ao Cepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) para aprovação", disse.
O decano diz que, segundo o calendário provisório, se as aulas recomeçassem hoje na UnB, o primeiro semestre de 2012 prosseguiria até o final de outubro. Seriam concedidas três semanas obrigatórias de recesso, e o segundo semestre de 2012 se estenderia até a segunda semana após o carnaval de 2013. "É uma simulação, pois a Adunb votou pela continuação da greve na UnB. Enquanto não voltarem as aulas, a previsão vai sendo jogada para frente", disse.
Fonte: Último Segundo (13/8/2012)
Apesar de solicitação feita pelo Ministério da Educação (MEC), a maior parte das universidades e institutos federais ainda não discute o calendário de reposição de aulas. A informação é do presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Carlos Edilson de Almeida Maneschy, também reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Proposta recusada: Técnicos de universidades querem reajuste de 15% em 2013
Protesto: Servidores federais ateiam fogo em pneus e bloqueiam acesso à UFRJ
Calendário: Mesmo antes do fim da greve, MEC cobra reposição das aulas de reitores
O MEC informou que as universidades estão em contato com os seus respectivos conselhos superiores para discutir a questão e ainda responderam à pasta.
Segundo Maneschy, os reitores aguardam o desdobramento das negociações, já que apenas três instituições votaram em assembleia pelo fim da greve: Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Instituto Federal de Educação Profissional e Tecnológica do Paraná (IFPR).
Na última quinta-feira (9), o MEC encaminhou circular aos reitores reiterando que as negociações com os professores estão encerradas e pedindo envio dos planos de reposição de aulas à pasta. De acordo com Meneschy, não há orientação unificada da Andifes sobre como responder à solicitação devido à autonomia universitária.
Meneschy disse que os planos de reposição não vêm sendo debatidos em razão da incerteza quanto aos rumos da paralisação. "Só as instituições que voltaram [estão fazendo calendário]. As outras, nenhuma está discutindo. A minha não está", disse.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do MEC para saber quantas universidades já atenderam ao pedido de encaminhar o plano de reposição. Até o fechamento desta matéria, o órgão não havia respondido.
Greve continua
No dia 31 de julho, o Ministério da Educação assinou acordo para o fim da greve com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), um dos quatro sindicatos que representam os docentes. O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) se recusaram a ratificar a proposta e orientaram as bases a endurecer o movimento.
Desde então, assembleias de professores em vários campus votaram pelo prosseguimento da greve. Segundo o Andes-SN, 57 instituições rejeitaram a proposta governamental e seguem paralisadas. Nesta segunda-feira (13), a reportagem da Agência Brasil esteve na Universidade de Brasília (UnB) e constatou que as atividades letivas continuam suspensas. Estudantes como Guilherme Bruno, 19 anos, aluno do terceiro semestre de Física, não tiveram qualquer informação sobre possível retomada das aulas. "Estou sem aula desde 27 de maio, está tudo parado. A negociação está bem desorganizada, não estamos entendendo o caminhar da greve", disse.
De acordo com José Américo Soares Garcia, decano (professor mais antigo de uma universidade, que pode presidir a um conselho) de graduação da UnB, o calendário da instituição continua suspenso e os dirigentes aguardam novas assembleias da Associação dos Docentes da UnB (Adunb) sobre a paralisação. "A gente tem um calendário de reposição provisório, que vai sendo atualizado a cada semana. Quando for decidido o fim da paralisação, ele será imediatamente encaminhado ao Cepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) para aprovação", disse.
O decano diz que, segundo o calendário provisório, se as aulas recomeçassem hoje na UnB, o primeiro semestre de 2012 prosseguiria até o final de outubro. Seriam concedidas três semanas obrigatórias de recesso, e o segundo semestre de 2012 se estenderia até a segunda semana após o carnaval de 2013. "É uma simulação, pois a Adunb votou pela continuação da greve na UnB. Enquanto não voltarem as aulas, a previsão vai sendo jogada para frente", disse.
Fonte: Último Segundo (13/8/2012)
Servidores da Capes deflagram greve
Paralisação deve atingir CNPq nesta terça
A Associação dos Servidores da Fundação Capes (Ascapes) aprovou deflagração de greve a partir desta segunda, 13 de agosto. É mais um setor do funcionalismo federal a iniciar uma paralisação. Já os servidores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) realizam assembleia geral nesta terça, 13, quando também podem aderir ao movimento paredista, conforme edital de convocação publicado pela associação classista (Ascon). A justificativa para a movimentação nesse segmento é, a exemplo de outros setores do funcionalismo, a intransigência do governo no tratamento aos servidores da área de Ciência e Tecnologia.
Para o presidente da SEDUFSM e diretor do ANDES-SN, Rondon de Castro, os fatos recentes apenas reforçam a convicção de que o governo Dilma foi empurrando os conflitos com os servidores com barriga. “Desde que a presidente assumiu, o que tem ocorrido é um processo de enrolação. E, com isso, o que temos agora é uma insatisfação generalizada, o que deve obrigar o governo a deixar sua postura arrogante de lado e negociar”.
Por outro lado, Rondon vê na paralisação dos servidores dessas entidades a oportunidade para que se repense, dentro das universidades, essa constante tentativa de fazer da pós-graduação um ente apartado do restante. “Temos que conscientizar a todos que a greve é da universidade e não apenas da graduação”, destacou.
Desrespeito
Em nota publicada no site da Ascapes, a entidade afirma que “vários programas da Capes podem ser prejudicados por uma postura desrespeitosa do Governo em relação aos servidores da Ciência e Tecnologia.”
Acrescenta ainda a nota da Associação que:
“A AsCapes entende a importância da Capes para o desenvolvimento da Educação, Ciência e Tecnologia e do Brasil como potência e como um país mais justo (e sem miséria!), mas também sabe que o principal instrumento para tal é o trabalho sério e comprometido de seus servidores. A frustração em relação às negociações com o Governo, após longos meses de reuniões, resultou na insatisfação geral dos servidores da Carreira de C&T que se mobiliza, sem alternativa, para uma greve geral da categoria, objetivando uma negociação séria e justa quanto às questões salariais, de condições de trabalho e a pauta nacional.”
A nota finaliza dizendo: “Nossa preocupação primária como servidores públicos de carreira é com o futuro da Educação, Ciência e Tecnologia, com bolsistas e pesquisadores e com a construção de um país menos desigual. Por isso, em prol da continuidade das atividades da Capes, esperamos encerrar nossa mobilização o mais brevemente possível.”
Fonte: SEDUFSM (13/8/2012)
A Associação dos Servidores da Fundação Capes (Ascapes) aprovou deflagração de greve a partir desta segunda, 13 de agosto. É mais um setor do funcionalismo federal a iniciar uma paralisação. Já os servidores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) realizam assembleia geral nesta terça, 13, quando também podem aderir ao movimento paredista, conforme edital de convocação publicado pela associação classista (Ascon). A justificativa para a movimentação nesse segmento é, a exemplo de outros setores do funcionalismo, a intransigência do governo no tratamento aos servidores da área de Ciência e Tecnologia.
Para o presidente da SEDUFSM e diretor do ANDES-SN, Rondon de Castro, os fatos recentes apenas reforçam a convicção de que o governo Dilma foi empurrando os conflitos com os servidores com barriga. “Desde que a presidente assumiu, o que tem ocorrido é um processo de enrolação. E, com isso, o que temos agora é uma insatisfação generalizada, o que deve obrigar o governo a deixar sua postura arrogante de lado e negociar”.
Por outro lado, Rondon vê na paralisação dos servidores dessas entidades a oportunidade para que se repense, dentro das universidades, essa constante tentativa de fazer da pós-graduação um ente apartado do restante. “Temos que conscientizar a todos que a greve é da universidade e não apenas da graduação”, destacou.
Desrespeito
Em nota publicada no site da Ascapes, a entidade afirma que “vários programas da Capes podem ser prejudicados por uma postura desrespeitosa do Governo em relação aos servidores da Ciência e Tecnologia.”
Acrescenta ainda a nota da Associação que:
“A AsCapes entende a importância da Capes para o desenvolvimento da Educação, Ciência e Tecnologia e do Brasil como potência e como um país mais justo (e sem miséria!), mas também sabe que o principal instrumento para tal é o trabalho sério e comprometido de seus servidores. A frustração em relação às negociações com o Governo, após longos meses de reuniões, resultou na insatisfação geral dos servidores da Carreira de C&T que se mobiliza, sem alternativa, para uma greve geral da categoria, objetivando uma negociação séria e justa quanto às questões salariais, de condições de trabalho e a pauta nacional.”
A nota finaliza dizendo: “Nossa preocupação primária como servidores públicos de carreira é com o futuro da Educação, Ciência e Tecnologia, com bolsistas e pesquisadores e com a construção de um país menos desigual. Por isso, em prol da continuidade das atividades da Capes, esperamos encerrar nossa mobilização o mais brevemente possível.”
Fonte: SEDUFSM (13/8/2012)
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Servidores federais fazem protesto antes da chegada de Dilma em MG
Presidente visita Rio Pardo de Minas, no Norte do estado.
Professores pediram reabertura das negociações.
Pedro Triginelli
Do G1 MG, em Rio Pardo de Minas
Servidores federais fizeram uma manifestação antes da chegada da presidente Dilma Rousseff a Rio Pardo de Minas, na Região Norte de Minas Gerais, na manhã desta sexta-feira (10). Dilma vai à cidade divulgar ações do programa federal de atendimento odontológico gratuito, o "Brasil Sorridente", que está sendo ampliado.
Professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de universidades de Salinas e Ouro Preto levaram faixas e apitos para pedir a reabertura das negociações pelo governo federal.
Diversas categorias de servidores federais estão em greve. Nessa quinta-feira (9), o Ministério do Planejamento anunciou que vai receber os sindicatos representantes dos grevistas entre os dias 13 e 27 de agosto, para uma rodada de negociações. Termina no dia 31 de agosto o prazo para incluir reajustes com pessoal no Projeto de Lei Orçamentária.
O governo já fez as contas do impacto causado ao orçamento do país caso as reinvindicações de todas as categorias de todos os poderes fossem atendidas – incluindo aumento salarial e reestruturação de carreiras. Segundo cálculos do Planejamento, o gasto adicional na folha de pagamento seria de R$ 92,2 bilhões, o que equivale a 2% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Veja a matéria na íntegra
Fonte: G1 (10/8/2012)
Há Braços na Luta!
Até as 13h do dia 9 de agosto, os Comandos Locais de Greve informaram ao Comando Nacional de Greve o resultado de assembléias gerais realizadas entre os dias 2 e 9 agosto, em 52 Instituições:
1. UF do Acre;
2. UF do Amazonas;
3. UF de Roraima;
4. UF do Pará;
5. UF do Amapá;
6. UF do Oeste do Pará;
7. UF do Maranhão;
8. UF do Piauí;
9. UF Rural do Semi-Árido;
10. UF da Paraíba;
11. UF Campina Grande;
12. UF de Pernambuco;
13. UF de Sergipe;
14. UF da Bahia;
15. UF do Recôncavo da Bahia;
16. UF de Goiás (Goiânia, Goiás, Jataí);
17. UF do Tocatins;
18. UF do Mato Grosso (Cuiabá, Sinop, Rondonópolis);
19. UF da Grande Dourados;
20. UF de Mato Grosso do Sul;
21. UF de Uberlândia;
22. UF do Triângulo Mineiro (Uberaba);
23. UF de Juiz de Fora;
24. UF de Viçosa;
25. UF de Lavras;
26. UF de Itajubá (Itabira);
27. UF de Ouro Preto;
28. UF de São João Del Rey;
29. UF de Alfenas;
30. UF Rural de Pernambuco;
31. UF do Espírito Santo;
32. UF do Rio de Janeiro;
33. UF do Estado do Rio de Janeiro;
34. UF Fluminense;
35. UF Rural do Rio de Janeiro;
36. UF de São Paulo;
37. UF do ABC (Santo André);
38. UF de Santa Catarina;
39. UF Tecnológica do Paraná;
40. UF do Rio Grande do Sul; (seção sindical do ANDES)
41. UF do Rio Grande;
42. UF de Pelotas;
43. UF de Santa Maria;
44. UF do Pampa;
45. UF de Minas Gerais;
46. UF da Integração Latino-Americana;
47. UF da Fronteira do Sul.
48. UF de Alagoas
49. CEFET Minas Gerais;
50. IF-São Paulo (São João da Boa Vista);
51. CEFET Rio de Janeiro;
52. IF - Sudeste de Minas;
53. IF do Piauí;
Reafirmamos a continuidade da greve e a reabertura de negociações com o governo.
TUITAÇO: #falaSerioMercadante
A GREVE É FORTE! A LUTA É AGORA!
CNG/ANDES-SN. Brasília, 09 de agosto de 2012.
1. UF do Acre;
2. UF do Amazonas;
3. UF de Roraima;
4. UF do Pará;
5. UF do Amapá;
6. UF do Oeste do Pará;
7. UF do Maranhão;
8. UF do Piauí;
9. UF Rural do Semi-Árido;
10. UF da Paraíba;
11. UF Campina Grande;
12. UF de Pernambuco;
13. UF de Sergipe;
14. UF da Bahia;
15. UF do Recôncavo da Bahia;
16. UF de Goiás (Goiânia, Goiás, Jataí);
17. UF do Tocatins;
18. UF do Mato Grosso (Cuiabá, Sinop, Rondonópolis);
19. UF da Grande Dourados;
20. UF de Mato Grosso do Sul;
21. UF de Uberlândia;
22. UF do Triângulo Mineiro (Uberaba);
23. UF de Juiz de Fora;
24. UF de Viçosa;
25. UF de Lavras;
26. UF de Itajubá (Itabira);
27. UF de Ouro Preto;
28. UF de São João Del Rey;
29. UF de Alfenas;
30. UF Rural de Pernambuco;
31. UF do Espírito Santo;
32. UF do Rio de Janeiro;
33. UF do Estado do Rio de Janeiro;
34. UF Fluminense;
35. UF Rural do Rio de Janeiro;
36. UF de São Paulo;
37. UF do ABC (Santo André);
38. UF de Santa Catarina;
39. UF Tecnológica do Paraná;
40. UF do Rio Grande do Sul; (seção sindical do ANDES)
41. UF do Rio Grande;
42. UF de Pelotas;
43. UF de Santa Maria;
44. UF do Pampa;
45. UF de Minas Gerais;
46. UF da Integração Latino-Americana;
47. UF da Fronteira do Sul.
48. UF de Alagoas
49. CEFET Minas Gerais;
50. IF-São Paulo (São João da Boa Vista);
51. CEFET Rio de Janeiro;
52. IF - Sudeste de Minas;
53. IF do Piauí;
Reafirmamos a continuidade da greve e a reabertura de negociações com o governo.
TUITAÇO: #falaSerioMercadante
A GREVE É FORTE! A LUTA É AGORA!
CNG/ANDES-SN. Brasília, 09 de agosto de 2012.
Sindicato diz que maioria das universidades federais mantém greve
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) divulgou comunicado hoje (9) informando que a greve dos professores das universidades federais está mantida na maioria das instituições. De acordo com o comando de greve, até ontem, docentes de 57 universidades haviam decidido em assembleia pela continuidade da greve, que já dura quase três meses, rejeitando a proposta do governo.
A proposta apresentada pelo Ministério do Planejamento prevê reajustes que variam entre 25% e 40% para todos os docentes, aplicados de forma parcelada até 2015. De acordo com o sindicato, que representa a maior parte da categoria, o impasse nas negociações com o governo não foi superado e os reajustes atingem a categoria de forma desigual, “prejudicando os docentes e aprofundando as distorções”.
Até o momento, apenas a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), uma das entidades que representam os docentes das universidades federais, aceitou o acordo com o governo. Duas instituições filiadas ao Proifes já aprovaram o fim da greve, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além do Instituto Federal de Educação Profissional e Tecnológica do Paraná (IFPR).
O comando nacional de greve do Andes-SN defende no comunicado que “a greve permanece firme e coesa”. De acordo com o texto, “os docentes têm clareza do significado da luta e cobram reabertura de negociações, visando o atendimento da pauta de reivindicações, a qual objetiva o avanço da educação pública”.
Fonte: Agência Brasil (9/8/2012)
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) divulgou comunicado hoje (9) informando que a greve dos professores das universidades federais está mantida na maioria das instituições. De acordo com o comando de greve, até ontem, docentes de 57 universidades haviam decidido em assembleia pela continuidade da greve, que já dura quase três meses, rejeitando a proposta do governo.
A proposta apresentada pelo Ministério do Planejamento prevê reajustes que variam entre 25% e 40% para todos os docentes, aplicados de forma parcelada até 2015. De acordo com o sindicato, que representa a maior parte da categoria, o impasse nas negociações com o governo não foi superado e os reajustes atingem a categoria de forma desigual, “prejudicando os docentes e aprofundando as distorções”.
Até o momento, apenas a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), uma das entidades que representam os docentes das universidades federais, aceitou o acordo com o governo. Duas instituições filiadas ao Proifes já aprovaram o fim da greve, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além do Instituto Federal de Educação Profissional e Tecnológica do Paraná (IFPR).
O comando nacional de greve do Andes-SN defende no comunicado que “a greve permanece firme e coesa”. De acordo com o texto, “os docentes têm clareza do significado da luta e cobram reabertura de negociações, visando o atendimento da pauta de reivindicações, a qual objetiva o avanço da educação pública”.
Fonte: Agência Brasil (9/8/2012)
Comunicado Especial CNG/ANDES-SN
Avaliação política do momento da greve
Fracassou mais uma operação montada pelo governo para acabar com a greve, agora por meio da assinatura do acordo com uma entidade não representativa do professores em greve: o PROIFES.
Em resposta, a totalidade das assembléias realizadas deliberou pela manutenção da greve e repudiou a ação do governo, que ao assinar um acordo com uma entidade não representativa cometeu um ato antissindical e ofensivo ao movimento docente combativo e autônomo. Além do que, os termos do acordo não atendem a nossa pauta de reivindicações, aumenta as distorções existentes e aprofunda a retirada de direitos.
Desde os primeiros dias da greve a postura do governo federal com relação ao movimento docente foi desrespeitosa: ignorou a greve; protelou a marcação da mesa de negociação e quando a iniciou adotou a postura de não dialogar com a categoria docente e com as suas reivindicações. Encerra, agora, o processo de forma unilateral reiterando suas posições, que apresentam divergências conceituais, políticas e financeiras com o projeto de educação defendido pelo ANDES-SN.
Para tentar enfraquecer a greve, busca, também, criar uma situação de isolamento do movimento docente do ANDES-SN. Para tanto, realiza reuniões, em separado, de outras categorias da educação pública federal, bem como, tenta deslegitimar o movimento por meio de notas públicas falaciosas e da busca da adesão dos reitores ao seu projeto, inclusive, pressionando pela retomada do calendário acadêmico.
Há que saudar a firmeza da categoria na defesa de suas justas reivindicações, uma vez que após 84 dias mantém uma intensa e vigorosa greve. Ao mesmo tempo, estamos diante de um governo com alto grau de centralização interna e extremamente duro com o movimento sindical combativo.
Há que se levar também em consideração a dinâmica do processo legislativo que estabelece uma data limite para o executivo encaminhar a proposta orçamentária para o próximo ano, até o dia 31 de agosto. Esta dinâmica está a serviço da burguesia que exerce pressão sobre o governo por uma política econômica que transfere o custo da crise do capital para os trabalhadores.
Neste contexto, nossos desafios e responsabilidade são imensos. A tarefa precípua, neste momento, é manter a greve e mais uma vez, tomar as ruas, radicalizar nas ações, unificando-as com os demais setores em greve e pressionar pela reabertura de negociações.
Reafirmar a disposição (já apresentada nas mesas anteriores) do movimento grevista de negociar, sem abrir mão de seus princípios. Para tanto, é necessário refletir sobre os limites e possibilidades da greve neste contexto e apontar táticas adequadas ao novo quadro, para fortalecer o apoio da opinião pública e intensificar a coesão do movimento docente.
Nesse sentido, é necessário também avaliar o que pode ser priorizado e/ou flexibilizado no item de pauta reestruturação da carreira, com vistas a elaboração de uma contraproposta e reiterar a deliberação sobre a necessidade de abertura de negociação sobre a valorização e melhoria das condições de trabalho docente nas IFE.
É necessário enfatizar que só a mobilização é capaz de alterar a correlação de forças e possibilitar ganhos efetivos!
Veja o comunicado em arquivo pdf
Fonte: ANDES-SN (9/8/2012)
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Ministro Gilberto Carvalho é vaiado por grevistas em Brasília
KELLY MATOS
DE BRASÍLIA
O que era para ser o discurso do representante da presidente Dilma Rousseff na abertura da Conferência Nacional de Emprego e Trabalho Decente transformou-se em confusão no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.
Assim que teve seu nome anunciado pelo mestre de cerimônia de eventos, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, foi muito vaiado por representantes de sindicatos que representam trabalhadores em greve.
"Traidor, traidor!", gritavam os grevistas em pé. As manifestações seguiram: "A greve continua. Dilma a culpa é sua!".
Carvalho tentou iniciar o discurso dizendo que o governo sempre buscou o diálogo. Gritando, afirmou que, em nenhum momento, o Planalto havia dito que não faria proposta de reajuste aos servidores. Os manifestantes se retiraram do auditório e seguiram vaiando o ministro. "Pelego!", diziam.
O ministro condenou a atitude dos sindicalistas e tentou continuar o discurso ainda aos gritos. "O governo da presidente Dilma não tem medo da manifestação nem do diálogo, e assim seguiremos até o final do nosso mandato em 2014".
Nesse momento, o Carvalho recebeu aplausos de participantes do evento e de outros ministros que estavam junto à mesa de autoridades.
'INCIVILIDADE'
Com muitas vaias até o fim do seu discurso, o ministro encerrou sua fala dizendo que não poderia aceitar a "indelicadeza" e a "incivilidade" dos manifestantes. "Esse tipo de manifestação não é próprio do verdadeiro servidor publico, a quem seguiremos respeitando", encerrou.
Ainda sob vaias, Carvalho dirigiu-se à mesa reservada às autoridades do evento. Antes de sentar-se, porém, dirigiu-se ao presidente da CUT, Vagner Freitas, e cobrou do sindicalista o episódio ocorrido. Vagner acenou e fez sinal de que 'nada puderia fazer'.
Mais cedo, o presidente da CUT já havia classificado o atual modelo de gestão dos trabalhadores feito pelo governo federal de "arcaico" e "falido". "Não existe negociação efetiva quando a parte patronal, neste casso o governo, não faz contraproposta. Não existe respeito ao legítimo direito de greve quando o governo edita o decreto 7.777, para substituir os grevistas", afirmou Freitas.
Depois, ao deixar o evento, o ministro Gilberto Carvalho, que estava rouco, respondeu às acusações de "traidor" por parte dos grevistas: "Tenho minha consciência, sei por quem eu luto e os servidores não me consideram traidor. Estou muito tranquilo quanto a isso".
Fonte: UOL Notícias (8/8/2012)
DE BRASÍLIA
O que era para ser o discurso do representante da presidente Dilma Rousseff na abertura da Conferência Nacional de Emprego e Trabalho Decente transformou-se em confusão no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.
Assim que teve seu nome anunciado pelo mestre de cerimônia de eventos, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, foi muito vaiado por representantes de sindicatos que representam trabalhadores em greve.
"Traidor, traidor!", gritavam os grevistas em pé. As manifestações seguiram: "A greve continua. Dilma a culpa é sua!".
Carvalho tentou iniciar o discurso dizendo que o governo sempre buscou o diálogo. Gritando, afirmou que, em nenhum momento, o Planalto havia dito que não faria proposta de reajuste aos servidores. Os manifestantes se retiraram do auditório e seguiram vaiando o ministro. "Pelego!", diziam.
O ministro condenou a atitude dos sindicalistas e tentou continuar o discurso ainda aos gritos. "O governo da presidente Dilma não tem medo da manifestação nem do diálogo, e assim seguiremos até o final do nosso mandato em 2014".
Nesse momento, o Carvalho recebeu aplausos de participantes do evento e de outros ministros que estavam junto à mesa de autoridades.
'INCIVILIDADE'
Com muitas vaias até o fim do seu discurso, o ministro encerrou sua fala dizendo que não poderia aceitar a "indelicadeza" e a "incivilidade" dos manifestantes. "Esse tipo de manifestação não é próprio do verdadeiro servidor publico, a quem seguiremos respeitando", encerrou.
Ainda sob vaias, Carvalho dirigiu-se à mesa reservada às autoridades do evento. Antes de sentar-se, porém, dirigiu-se ao presidente da CUT, Vagner Freitas, e cobrou do sindicalista o episódio ocorrido. Vagner acenou e fez sinal de que 'nada puderia fazer'.
Mais cedo, o presidente da CUT já havia classificado o atual modelo de gestão dos trabalhadores feito pelo governo federal de "arcaico" e "falido". "Não existe negociação efetiva quando a parte patronal, neste casso o governo, não faz contraproposta. Não existe respeito ao legítimo direito de greve quando o governo edita o decreto 7.777, para substituir os grevistas", afirmou Freitas.
Depois, ao deixar o evento, o ministro Gilberto Carvalho, que estava rouco, respondeu às acusações de "traidor" por parte dos grevistas: "Tenho minha consciência, sei por quem eu luto e os servidores não me consideram traidor. Estou muito tranquilo quanto a isso".
Fonte: UOL Notícias (8/8/2012)
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Reitores defendem articulação em favor de grevistas
Docentes da Ufam e da UFCG obtiveram apoio dos reitores
Os docentes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) receberam apoio dos respectivos reitores para as reivindicações da categoria em greve e também para a reabertura de negociações com o governo federal.
Na última segunda-feira, 6, os docentes da Ufam entregaram à reitora, professora Márcia Perales, a decisão, tomada em Assembleia Geral, de manter a paralisação até que as reuniões de negociação entre ANDES e governo sejam reabertas através de uma proposta que realmente contemple as reivindicações da categoria seja apresentada.
A reitora reafirmou o apoio à greve docente e propôs articulação com outros reitores das universidades do norte do país. “O que eu puder fazer para ajudar o movimento no sentido de reunir forças, entrar em contato com outros reitores, relatar essa reunião, encaminhar mais informações... Estou preocupada”, disse Márcia.
A dirigente afirmou que o posicionamento da Andifes sempre foi favorável à abertura de negociações com os docentes. “A Andifes sempre se posicionou no sentido de cobrar do governo a negociação com os professores, de forma a encontrar soluções para as reivindicações da categoria. Hoje, o clima [entre os reitores] é de muita preocupação com o tempo e com os desdobramentos dessa situação”, afirmou. Márcia ainda mostrou preocupação com a falta de legitimidade da Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes).
UFCG
O reitor da UFCG, Thompson Mariz, também se mostrou disposto a levar a discussão para a Andifes, a fim de que a entidade possa interceder junto ao governo pela retomada das negociações com os docentes. Em reunião, também ocorrida na segunda-feira, o Comando Local de Greve (CLG) docente da instituição conseguiu que o reitor assumisse o compromisso de divulgar nota de apoio às reivindicações da categoria.
UFSM
A assessoria de imprensa da SEDUFSM tentou ouvir, ao longo da tarde, o reitor da UFSM, professor Felipe Müller. O objetivo era saber qual a opinião dele sobre a postura do governo que, semana passada, afirmou estarem encerradas as negociações. Ao mesmo tempo, o MEC encaminhou ofício aos reitores requerendo o início das aulas, o que foi reiterado em documento encaminhado nesta terça, 7, com solicitação para que dirigentes e os conselhos superiores apresentem um calendário de recuperação das aulas. Não conseguindo ouvi-lo, as questões foram encaminhadas para a chefe da coordenadoria de Comunicação Social, professora Elisangela Mortari.
Fonte: SEDUFSM (7/8/2012)
Os docentes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) receberam apoio dos respectivos reitores para as reivindicações da categoria em greve e também para a reabertura de negociações com o governo federal.
Na última segunda-feira, 6, os docentes da Ufam entregaram à reitora, professora Márcia Perales, a decisão, tomada em Assembleia Geral, de manter a paralisação até que as reuniões de negociação entre ANDES e governo sejam reabertas através de uma proposta que realmente contemple as reivindicações da categoria seja apresentada.
A reitora reafirmou o apoio à greve docente e propôs articulação com outros reitores das universidades do norte do país. “O que eu puder fazer para ajudar o movimento no sentido de reunir forças, entrar em contato com outros reitores, relatar essa reunião, encaminhar mais informações... Estou preocupada”, disse Márcia.
A dirigente afirmou que o posicionamento da Andifes sempre foi favorável à abertura de negociações com os docentes. “A Andifes sempre se posicionou no sentido de cobrar do governo a negociação com os professores, de forma a encontrar soluções para as reivindicações da categoria. Hoje, o clima [entre os reitores] é de muita preocupação com o tempo e com os desdobramentos dessa situação”, afirmou. Márcia ainda mostrou preocupação com a falta de legitimidade da Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes).
UFCG
O reitor da UFCG, Thompson Mariz, também se mostrou disposto a levar a discussão para a Andifes, a fim de que a entidade possa interceder junto ao governo pela retomada das negociações com os docentes. Em reunião, também ocorrida na segunda-feira, o Comando Local de Greve (CLG) docente da instituição conseguiu que o reitor assumisse o compromisso de divulgar nota de apoio às reivindicações da categoria.
UFSM
A assessoria de imprensa da SEDUFSM tentou ouvir, ao longo da tarde, o reitor da UFSM, professor Felipe Müller. O objetivo era saber qual a opinião dele sobre a postura do governo que, semana passada, afirmou estarem encerradas as negociações. Ao mesmo tempo, o MEC encaminhou ofício aos reitores requerendo o início das aulas, o que foi reiterado em documento encaminhado nesta terça, 7, com solicitação para que dirigentes e os conselhos superiores apresentem um calendário de recuperação das aulas. Não conseguindo ouvi-lo, as questões foram encaminhadas para a chefe da coordenadoria de Comunicação Social, professora Elisangela Mortari.
Fonte: SEDUFSM (7/8/2012)
Greve dos docentes da UFBA continua. Proposta do sindicato de encerrar a greve foi rechaçada por assembleia lotada.
Nesta terça-feira, 07 de agosto, os professores da Universidade Federal da Bahia realizaram mais uma assembleia geral convocada pela diretoria do sindicato para encerrar a greve. A assembleia recusou os encaminhamentos propostos pela diretoria da APUB (Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia) e foi aprovada a continuidade da greve por 310 votos a favor e 29 votos contra e 3 abstenções. Na ocasião, os docentes rebateram firmemente as argumentações trazidas pela diretoria do sindicato, exigindo a inclusão do comando de greve na mesa de condução da assembleia e a votação da pauta a ser discutida, como tem sido prática ao longo dessa greve.
O conflito existente entre o movimento docente da UFBA e a diretoria do sindicato foi enfrentado pela assembleia. Como consequência, a plenária deliberou que uma assembleia específica deverá decidir sobre a destituição da diretoria na próxima quarta-feira dia 15 de agosto às 14:30h na Faculdade de Arquitetura. A avaliação feita pela maioria dos presentes à assembleia foi de que o comportamento da diretoria da APUB e da federação à qual pertence, o PROIFES, é subserviente às posições do governo desde o início da greve, desrespeitando as decisões das assembleias, não defendendo os interesses e as demandas dos docentes.
Assembleia, nesta quarta-feira, 8 de agosto, às 14:30h, discutirá a pauta local dos professores da UFBA composta por quatro eixos principais, quais sejam: gestão participativa; fortalecimento da tríade ensino, pesquisa e extensão; condições de trabalho; assistência estudantil; maior percentual das verbas destinadas à pesquisa e à extensão; e transparência das contas das fundações de apoio.
Fonte: Comando de Greve dos Docentes da UFBA (7/8/2012)
O conflito existente entre o movimento docente da UFBA e a diretoria do sindicato foi enfrentado pela assembleia. Como consequência, a plenária deliberou que uma assembleia específica deverá decidir sobre a destituição da diretoria na próxima quarta-feira dia 15 de agosto às 14:30h na Faculdade de Arquitetura. A avaliação feita pela maioria dos presentes à assembleia foi de que o comportamento da diretoria da APUB e da federação à qual pertence, o PROIFES, é subserviente às posições do governo desde o início da greve, desrespeitando as decisões das assembleias, não defendendo os interesses e as demandas dos docentes.
Assembleia, nesta quarta-feira, 8 de agosto, às 14:30h, discutirá a pauta local dos professores da UFBA composta por quatro eixos principais, quais sejam: gestão participativa; fortalecimento da tríade ensino, pesquisa e extensão; condições de trabalho; assistência estudantil; maior percentual das verbas destinadas à pesquisa e à extensão; e transparência das contas das fundações de apoio.
Fonte: Comando de Greve dos Docentes da UFBA (7/8/2012)
CNG Informa
DENÚNCIA DE ATO ANTISINDICAL: GOVERNO DILMA ENCENA UMA FARSA E SE NEGA A
NEGOCIAR COM OS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO.
A educação é central para o desenvolvimento humano de um país, contribuindo com o processo de desenvolvimento político-econômico, artístico-cultural, científico-tecnológico. Trata-se, portanto, de campo privilegiado de disputas por projetos de formação antagônicos: um que a transforma em mercadoria e objeto de lucro e outro que a defende como bem público e direito de todos.
Neste embate de projetos, dentre as estratégias de luta historicamente consagradas, o direito de greve dos trabalhadores representa um instrumento legítimo e necessário para fazer frente às tentativas de diferentes governos, ligado aos interesses do capital, em desrespeitar a educação pública de qualidade como um patrimônio da sociedade, reduzindo direito dos trabalhadores e impondo perdas de garantias sociais.
No Brasil, um dos campos desta disputa se expressa na lógica em que se assenta a expansão precarizada da educação pública, em especial no que se refere às Instituições Federais de Ensino. O projeto do governo Dilma, iniciado no governo Lula, de ampliação do número de vagas sem os meios necessários, somada a um processo orquestrado de desestruturação da carreira docente, levou os professores de 61 IFE a deflagrarem o maior movimento paredista da história do ANDES Sindicato Nacional.
Diante da força do movimento, o governo instalou a mesa de negociação com as entidades docentes. Contudo, o que parecia ser a expressão democrática da relação entre governo e professores, foi unilateralmente interrompido. O governo Dilma, sem atender as reivindicações da categoria, forjou um falso consenso, escolhendo uma entidade, o Proifes, criada e alimentada pela própria lógica política do governo, para assinar um simulacro de acordo que consubstancia um flagrante ato antisindical. Fere a autonomia sindical, na medida em que a única entidade signatária não tem legitimidade – sua posição foi derrotada nas Assembleias de base, inclusive nas IFE onde detém a direção do sindicato - para assinar o acordo, que não atende a melhoria da qualidade da educação, das condições de trabalho, nem valoriza a carreira docente, conforme consta da pauta do movimento em greve. Além disto, o conteúdo deste acordo representa um claro ataque à autonomia universitária e aprofunda ainda mais a desestruturação da carreira. Ao ser assinado com uma entidade sem mandato para tal, que ataca o direito de greve e negocia a revelia da categoria, configura um flagrante golpe aos princípios básicos da negociação e do respeito à organização sindical.
Diante disso, o CNG/ANDES-SN ao tempo em que reafirma sua defesa intransigente à democracia sindical, com respeito às decisões pela base, exige que as negociações sejam reabertas e conclama entidades e trabalhadores a repudiarem a forma como o governo, com ajuda de entidades como o Proifes, tem atacado o direito de greve.
A greve continua pela reabertura efetiva de negociações!
Comando Nacional de Greve - CNG/ANDES-SN
Brasília, 6 de agosto de 2012
Veja o texto em arquivo pdf
NEGOCIAR COM OS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO.
A educação é central para o desenvolvimento humano de um país, contribuindo com o processo de desenvolvimento político-econômico, artístico-cultural, científico-tecnológico. Trata-se, portanto, de campo privilegiado de disputas por projetos de formação antagônicos: um que a transforma em mercadoria e objeto de lucro e outro que a defende como bem público e direito de todos.
Neste embate de projetos, dentre as estratégias de luta historicamente consagradas, o direito de greve dos trabalhadores representa um instrumento legítimo e necessário para fazer frente às tentativas de diferentes governos, ligado aos interesses do capital, em desrespeitar a educação pública de qualidade como um patrimônio da sociedade, reduzindo direito dos trabalhadores e impondo perdas de garantias sociais.
No Brasil, um dos campos desta disputa se expressa na lógica em que se assenta a expansão precarizada da educação pública, em especial no que se refere às Instituições Federais de Ensino. O projeto do governo Dilma, iniciado no governo Lula, de ampliação do número de vagas sem os meios necessários, somada a um processo orquestrado de desestruturação da carreira docente, levou os professores de 61 IFE a deflagrarem o maior movimento paredista da história do ANDES Sindicato Nacional.
Diante da força do movimento, o governo instalou a mesa de negociação com as entidades docentes. Contudo, o que parecia ser a expressão democrática da relação entre governo e professores, foi unilateralmente interrompido. O governo Dilma, sem atender as reivindicações da categoria, forjou um falso consenso, escolhendo uma entidade, o Proifes, criada e alimentada pela própria lógica política do governo, para assinar um simulacro de acordo que consubstancia um flagrante ato antisindical. Fere a autonomia sindical, na medida em que a única entidade signatária não tem legitimidade – sua posição foi derrotada nas Assembleias de base, inclusive nas IFE onde detém a direção do sindicato - para assinar o acordo, que não atende a melhoria da qualidade da educação, das condições de trabalho, nem valoriza a carreira docente, conforme consta da pauta do movimento em greve. Além disto, o conteúdo deste acordo representa um claro ataque à autonomia universitária e aprofunda ainda mais a desestruturação da carreira. Ao ser assinado com uma entidade sem mandato para tal, que ataca o direito de greve e negocia a revelia da categoria, configura um flagrante golpe aos princípios básicos da negociação e do respeito à organização sindical.
Diante disso, o CNG/ANDES-SN ao tempo em que reafirma sua defesa intransigente à democracia sindical, com respeito às decisões pela base, exige que as negociações sejam reabertas e conclama entidades e trabalhadores a repudiarem a forma como o governo, com ajuda de entidades como o Proifes, tem atacado o direito de greve.
A greve continua pela reabertura efetiva de negociações!
Comando Nacional de Greve - CNG/ANDES-SN
Brasília, 6 de agosto de 2012
Veja o texto em arquivo pdf
Coordenador no MPOG não corta ponto de grevista e se demite
O Coordenador de Inovação Tecnológica do Ministério do Planejamento, César Augusto de Azambuja Brod, se negou a cumprir orientações do governo de cortar o ponto de funcionários em greve e pediu exoneração do cargo na semana passada. Em carta divulgada pelas redes sociais, que também está no site do Sindicato dos Servidores Federais (Sindsep-DF), Brod alega que não cumpriria uma determinação que feria seus princípios.
Conforme Brod, “o PT patrão parece não ter aprendido com sua própria história. O PT patrão apenas aprimora as táticas de pressão psicológica e negociação questionável daqueles com os quais negociou na época em que a greve era sua.” Em sua carta, ele diz ainda que “como coordenador, jamais cortarei o ponto daqueles que trabalham comigo e estão em greve. Independente da greve, eles cumpriram seus compromissos civis sempre que necessário”. [veja a íntegra da carta divulgada por César Brod]
A postura assumida pelo ex-coordenador de Inovação Tecnológica recebeu apoio maciço dos servidores vinculados ao setor ao qual ele chefiava. Em nota, os funcionários manifestaram solidariedade através de “carta aberta”. Em um dos trechos eles se referem às determinações governamentais:
“A determinação do governo no corte do ponto dos grevistas agride em sua essência a crença na liberdade de manifestação das pessoas e no direito do trabalhador de reivindicar melhorias em suas condições de trabalho e os consequentes resultados entregues à sociedade por meio dos atos dos servidores públicos federais”. [veja a íntegra da 'carta aberta' dos servidores em apoio a César Brod]
Foi ressaltado na carta também o fato de que a orientação superior para que seja feito a lista dos grevistas e procedido o desconto no salário contraria decisão do Poder Judiciário, ferindo liminar concedida por juiz da 17ª Vara da Seção Judiciária do DF e mantida pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª região.
Fonte: SEDUFSM (6/8/2012)
Greve das universidades públicas
Frei Betto*
Eis que esbarro no aeroporto com um amigo, alto funcionário do governo federal. Fomos colegas de Planalto nos idos de 2004. Fui direto ao ponto:
- E quando o governo acabará com a greve dos professores das universidades públicas, que já dura mais de 60 dias? Ela paralisa 57 das 59 universidades federais e 34 dos 38 institutos federais de educação tecnológica. São 143 mil profissionais de ensino de braços cruzados.
- O governo? – reagiu surpreso. - Eles é que decidiram parar de trabalhar. Já é hora de descruzarem os braços e aceitar nossa proposta apresentada na sexta, 13 de julho. A partir do ano que vem um professor titular com dedicação exclusiva poderá ter aumento de 45,1%.
- Sexta-feira 13 não é um bom dia para negociar... Sei que o PT tem tido sorte com o 13. Mas, pelo que me disseram professores, a proposta do governo está aquém do que eles querem. E só favorece os professores que atingiram o topo da carreira, e não os iniciantes. Como é possível um professor adjunto, com doutorado, ganhar R$ 4.300, e um policial rodoviário com nível superior R$ 5.782,11?
- O que pedem é acima do razoável. E se a greve prosseguir, nem por isso o país para.
- Você parece esquecer que o PT só chegou à Presidência da República porque o movimento grevista do ABC, liderado por Lula, encarou a ditadura, desmascarou as fraudes dos índices econômicos emitidos pelo ministério de Delfim Netto e exigiu reposição salarial.
O amigo me interrompeu:
- Aquilo foi diferente. Máquinas paradas atrasam o país.
- Este o erro do governo, meu caro. Não avaliar que escola fechada atrasa muito mais. Quem criará as máquinas ou, se quiser, trará ao país inovação tecnológica se os universitários não têm aulas? Quem estanca a fuga de cérebros do Brasil, com tantos cientistas, como Marcelo Gleiser, preferindo as condições de trabalho no exterior? A maior burrice do governo é não investir na inteligência. Já comparou o orçamento do Ministério da Cultura com os demais? É quase uma esmola. Como está difícil convencer o Planalto de que o Brasil só terá futuro se investir ao menos 10% do PIB na educação.
Meu amigo tentou justificar:
- Mas o governo tem que controlar seus gastos. Se ceder aos professores, o rombo nas contas públicas será ainda maior.
- Como pode um professor universitário ganhar o mesmo que um encanador da Câmara Municipal de São Paulo? Um encanador, lotado no Departamento de Zeladoria daquela casa legislativa, ganha R$ 11 mil. Um professor universitário com dedicação exclusiva ganha R$ 11,8 mil. Agora o governo promete que, em três anos, ele terá salário de R$ 17,1 mil.
- O governo vai mudar o plano de carreira. Professores passarão a ganhar mais em menos tempo de trabalho.
- Ora, não me venha com falácias. Quando se trata do fundamental –saúde, educação, saneamento– o governo nunca tem recursos suficientes. Mas sobram fortunas para o Brasil sediar eventos esportivos internacionais protegidos por leis especiais e comprar jatos de combate para um país que já deveria estar desmilitarizado.
- Você não acha que é uma honra o Brasil sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo? Não é importante atualizar os equipamentos de nossa defesa bélica?
- Esses eventos esportivos estarão abertos ao nosso povo, ou apenas aos turistas e cambistas? E quanto à defesa bélica, há tempos o Brasil deveria ter adotado a postura de neutralidade da Suíça e abolir suas Forças Armadas, como fez a Costa Rica em 1949. Quem nos ameaça senão nós mesmos ao não promover a reforma agrária para reduzir a desigualdade social e manter a saúde e a educação sucateadas?
Meu amigo, ao se despedir, admitiu em voz baixa:
- O problema, companheiro, é que, por estar no governo, não posso criticá-lo. Mas você tem boa dose de razão.
*Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais, autor de "A obra do Artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros. www.freibetto.org - Twitter:@freibetto.
Fonte: Adital (20/7/2012)
Eis que esbarro no aeroporto com um amigo, alto funcionário do governo federal. Fomos colegas de Planalto nos idos de 2004. Fui direto ao ponto:
- E quando o governo acabará com a greve dos professores das universidades públicas, que já dura mais de 60 dias? Ela paralisa 57 das 59 universidades federais e 34 dos 38 institutos federais de educação tecnológica. São 143 mil profissionais de ensino de braços cruzados.
- O governo? – reagiu surpreso. - Eles é que decidiram parar de trabalhar. Já é hora de descruzarem os braços e aceitar nossa proposta apresentada na sexta, 13 de julho. A partir do ano que vem um professor titular com dedicação exclusiva poderá ter aumento de 45,1%.
- Sexta-feira 13 não é um bom dia para negociar... Sei que o PT tem tido sorte com o 13. Mas, pelo que me disseram professores, a proposta do governo está aquém do que eles querem. E só favorece os professores que atingiram o topo da carreira, e não os iniciantes. Como é possível um professor adjunto, com doutorado, ganhar R$ 4.300, e um policial rodoviário com nível superior R$ 5.782,11?
- O que pedem é acima do razoável. E se a greve prosseguir, nem por isso o país para.
- Você parece esquecer que o PT só chegou à Presidência da República porque o movimento grevista do ABC, liderado por Lula, encarou a ditadura, desmascarou as fraudes dos índices econômicos emitidos pelo ministério de Delfim Netto e exigiu reposição salarial.
O amigo me interrompeu:
- Aquilo foi diferente. Máquinas paradas atrasam o país.
- Este o erro do governo, meu caro. Não avaliar que escola fechada atrasa muito mais. Quem criará as máquinas ou, se quiser, trará ao país inovação tecnológica se os universitários não têm aulas? Quem estanca a fuga de cérebros do Brasil, com tantos cientistas, como Marcelo Gleiser, preferindo as condições de trabalho no exterior? A maior burrice do governo é não investir na inteligência. Já comparou o orçamento do Ministério da Cultura com os demais? É quase uma esmola. Como está difícil convencer o Planalto de que o Brasil só terá futuro se investir ao menos 10% do PIB na educação.
Meu amigo tentou justificar:
- Mas o governo tem que controlar seus gastos. Se ceder aos professores, o rombo nas contas públicas será ainda maior.
- Como pode um professor universitário ganhar o mesmo que um encanador da Câmara Municipal de São Paulo? Um encanador, lotado no Departamento de Zeladoria daquela casa legislativa, ganha R$ 11 mil. Um professor universitário com dedicação exclusiva ganha R$ 11,8 mil. Agora o governo promete que, em três anos, ele terá salário de R$ 17,1 mil.
- O governo vai mudar o plano de carreira. Professores passarão a ganhar mais em menos tempo de trabalho.
- Ora, não me venha com falácias. Quando se trata do fundamental –saúde, educação, saneamento– o governo nunca tem recursos suficientes. Mas sobram fortunas para o Brasil sediar eventos esportivos internacionais protegidos por leis especiais e comprar jatos de combate para um país que já deveria estar desmilitarizado.
- Você não acha que é uma honra o Brasil sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo? Não é importante atualizar os equipamentos de nossa defesa bélica?
- Esses eventos esportivos estarão abertos ao nosso povo, ou apenas aos turistas e cambistas? E quanto à defesa bélica, há tempos o Brasil deveria ter adotado a postura de neutralidade da Suíça e abolir suas Forças Armadas, como fez a Costa Rica em 1949. Quem nos ameaça senão nós mesmos ao não promover a reforma agrária para reduzir a desigualdade social e manter a saúde e a educação sucateadas?
Meu amigo, ao se despedir, admitiu em voz baixa:
- O problema, companheiro, é que, por estar no governo, não posso criticá-lo. Mas você tem boa dose de razão.
*Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais, autor de "A obra do Artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros. www.freibetto.org - Twitter:@freibetto.
Fonte: Adital (20/7/2012)
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Greve já atrasou em quase 90 dias calendário da UFTM em Uberaba, MG
A reitoria informou que o 2º semestre começa só quando o 1º for concluído.
Os professores querem plano de carreira e melhores condições de trabalho.
Do G1 Triângulo Mineiro
O calendário de 2012 da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) já está atrasado em quase 90 dias em função da greve dos professores e servidores. A Universidade aderiu ao movimento nacional no dia 17 de maio e a paralisação tem o apoio do movimento estudantil.
Oitenta por cento do corpo docente está em greve e aproximadamente 70% dos alunos estão sem aulas. O governo já apresentou duas propostas de negociação que foram rejeitadas pelo Comando Nacional. “As nossas reivindicações não são salariais, mas sim por melhor plano de carreira e melhores condições de trabalho”, destacou a professora Juliana Bertucci.
O calendário de reposição da UFTM só será definido depois que a greve acabar, mas a reitoria já informou que o segundo semestre só começa depois que o primeiro for concluído, ou seja, depois que todas as aulas forem repostas. O pró-reitor Acir Mário Karwoski explicou que somente a matrícula dos alunos que vão começar a faculdade neste semestre foi liberada, mas eles também terão que aguardar a reposição para começar o ano letivo. “Assim que a greve acabar o Conselho de Ensino será convocado para elaborar um calendário de reposição das atividades letivas do primeiro semestre para, em seguida, estabelecer um novo calendário do segundo semestre e encerrarmos assim os 200 dias letivos, no mínimo, previstos para 2012”, ressaltou Acir.
Apesar de estar há quase três meses sem aulas a estudante de serviço social, Fernanda Clara Gutierrez, defende que um acordo só seja firmado quando as reivindicações forem atendidas. “A gente já tem uma noção que vamos ter aulas em finais de semana e nas férias. Isso é normal em todo o movimento de greve”, afirmou.
O estudante de engenharia de produção, Luís Felipe Moura, também faz parte do grupo que apoia a greve. “A gente apoia essa causa docente, mas também damos apoio às nossas pautas locais, que é de infraestrutura e auxílios que influenciam diretamente no nosso aprendizado”, disse. Fernanda Souto, graduanda em medicina, explicou que as pautas locais têm o objetivo de melhorar a qualidade de ensino da universidade.
Rayana Beatriz Silva de Vasconcelos é caloura de enfermagem e toda a expectativa de ingressar na universidade federal vai ter que esperar, já que as aulas que começariam no dia 30 de julho foram adiadas sem data prevista. “Eu me empolguei quando passei e depois fui desempolgando porque não sei quando vai começar. Tenho que esperar para repor as aulas primeiro”, lamentou Rayana
Fonte: G1 Triângulo Mineiro (6/8/2012)
Os professores querem plano de carreira e melhores condições de trabalho.
Do G1 Triângulo Mineiro
O calendário de 2012 da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) já está atrasado em quase 90 dias em função da greve dos professores e servidores. A Universidade aderiu ao movimento nacional no dia 17 de maio e a paralisação tem o apoio do movimento estudantil.
Oitenta por cento do corpo docente está em greve e aproximadamente 70% dos alunos estão sem aulas. O governo já apresentou duas propostas de negociação que foram rejeitadas pelo Comando Nacional. “As nossas reivindicações não são salariais, mas sim por melhor plano de carreira e melhores condições de trabalho”, destacou a professora Juliana Bertucci.
O calendário de reposição da UFTM só será definido depois que a greve acabar, mas a reitoria já informou que o segundo semestre só começa depois que o primeiro for concluído, ou seja, depois que todas as aulas forem repostas. O pró-reitor Acir Mário Karwoski explicou que somente a matrícula dos alunos que vão começar a faculdade neste semestre foi liberada, mas eles também terão que aguardar a reposição para começar o ano letivo. “Assim que a greve acabar o Conselho de Ensino será convocado para elaborar um calendário de reposição das atividades letivas do primeiro semestre para, em seguida, estabelecer um novo calendário do segundo semestre e encerrarmos assim os 200 dias letivos, no mínimo, previstos para 2012”, ressaltou Acir.
Apesar de estar há quase três meses sem aulas a estudante de serviço social, Fernanda Clara Gutierrez, defende que um acordo só seja firmado quando as reivindicações forem atendidas. “A gente já tem uma noção que vamos ter aulas em finais de semana e nas férias. Isso é normal em todo o movimento de greve”, afirmou.
O estudante de engenharia de produção, Luís Felipe Moura, também faz parte do grupo que apoia a greve. “A gente apoia essa causa docente, mas também damos apoio às nossas pautas locais, que é de infraestrutura e auxílios que influenciam diretamente no nosso aprendizado”, disse. Fernanda Souto, graduanda em medicina, explicou que as pautas locais têm o objetivo de melhorar a qualidade de ensino da universidade.
Rayana Beatriz Silva de Vasconcelos é caloura de enfermagem e toda a expectativa de ingressar na universidade federal vai ter que esperar, já que as aulas que começariam no dia 30 de julho foram adiadas sem data prevista. “Eu me empolguei quando passei e depois fui desempolgando porque não sei quando vai começar. Tenho que esperar para repor as aulas primeiro”, lamentou Rayana
Fonte: G1 Triângulo Mineiro (6/8/2012)
Para onde vão as nossas universidades
O ProUni fortaleceu faculdades de fachada. Já as federais, agora produtivistas, não têm nem prédios. Mas vozes privatistas, "de mercado", criticam a greve
Ricardo Antunes*
A expansão do ensino superior durante os governos Lula e Dilma foi quantitativamente ampla, tanto para as universidades públicas quanto para as privadas.
O primeiro grupo vivenciou uma expansão dos campi muito significativa, através da profusão de cursos -muitos dos quais, entretanto, pautados pela razão instrumental, de qualidade duvidosa e em sintonia com a era da flexibilidade.
O segundo grupo viu o governo do PT mostrar também um lado generoso em relação aos mercados.
Faculdades em sua grande maioria de fachada, autodefinidas como "instituições do ensino superior", carentes de rigor científico mínimo em sua docência e pesquisa (esta, salvo raras exceções, inexiste neste ramo empresarial), tiveram seus cofres inflados com o ProUni.
Já que os pobres são tolhidos em larga escala das universidades públicas -uma vez que frequentam o ensino fundamental em escolas públicas, que se encontram destroçadas-, o governo Lula encontrou uma saída bárbara: reuniu-os nos espaços privados do ProUni.
De outra parte, deu-se positivamente a ampliação das universidades públicas, através da expansão dos cursos nas instituições federais e da contratação significativa de docentes. Mas o governo o fez deslanchando o Reuni, programa de expansão das universidades federais.
Constrangidos pelo produtivismo (anti)acadêmico e calibrados pela competição, há precarização de condições de trabalho. Os salários são baixos. A carreira, mal estruturada.
Mas o governo não contava que essa ampliação quantitativa tivesse fortes consequências qualitativas: a nova geração de jovens professores, doutores em sua grande maioria, parece não aceitar sem questionamentos esse lado perverso do Reuni, que quer assemelhar universidades públicas àquelas onde viceja o ProUni.
Dando aulas muitas vezes em galpões, sem salas de professores (quando há, sem condições de pesquisar), os docentes, cujos adoecimentos e padecimentos, para não falar de mortes, não param de se ampliar, decretaram uma ampla e massiva greve nas federais.
Querem melhores salários, condições de trabalho dignas e carreira efetivamente estruturada.
Os conservadores dizem, tentando mascarar o desejo pela completa privatização, que a greve dos docentes públicos é uma forma de "receber sem trabalhar". "Esquecem" algo elementar: qual docente, no juízo razoável de suas faculdades, quer arrebentar seu calendário e repor aulas quando deveria estar em férias?
Só mesmo as vozes conservadoras podem identificar uma greve, com suas atividades, assembleias, debates, desgastes, riscos e tensões, como "descanso remunerado", argumento histórico das direitas derrotado pela Constituição de 1988.
Para muitas dessas vozes, a pesquisa e a reflexão livres incomodam. Elas gostariam de privatizar as federais, convertendo-as ou em universidades profissionalizantes ou, ao menos parte delas, em "universidades corporativas", uma flagrante contradição, pois universalidade não rima com corporação.
Há um segundo ponto importante: muitos alegam que é preciso investir no ensino básico, o que os leva a recusar o apoio à universidade pública. Mas alguém seriamente acredita que aqueles que querem destroçar a universidade pública querem, de fato, um ensino básico público, laico e de qualidade?
Ricardo Antunes, 59, é professor titular de sociologia na Unicamp e autor de "O Continente do Labor" (Boitempo)
Fonte: Folha de S.Paulo (6/8/2012)
Ricardo Antunes*
A expansão do ensino superior durante os governos Lula e Dilma foi quantitativamente ampla, tanto para as universidades públicas quanto para as privadas.
O primeiro grupo vivenciou uma expansão dos campi muito significativa, através da profusão de cursos -muitos dos quais, entretanto, pautados pela razão instrumental, de qualidade duvidosa e em sintonia com a era da flexibilidade.
O segundo grupo viu o governo do PT mostrar também um lado generoso em relação aos mercados.
Faculdades em sua grande maioria de fachada, autodefinidas como "instituições do ensino superior", carentes de rigor científico mínimo em sua docência e pesquisa (esta, salvo raras exceções, inexiste neste ramo empresarial), tiveram seus cofres inflados com o ProUni.
Já que os pobres são tolhidos em larga escala das universidades públicas -uma vez que frequentam o ensino fundamental em escolas públicas, que se encontram destroçadas-, o governo Lula encontrou uma saída bárbara: reuniu-os nos espaços privados do ProUni.
De outra parte, deu-se positivamente a ampliação das universidades públicas, através da expansão dos cursos nas instituições federais e da contratação significativa de docentes. Mas o governo o fez deslanchando o Reuni, programa de expansão das universidades federais.
Constrangidos pelo produtivismo (anti)acadêmico e calibrados pela competição, há precarização de condições de trabalho. Os salários são baixos. A carreira, mal estruturada.
Mas o governo não contava que essa ampliação quantitativa tivesse fortes consequências qualitativas: a nova geração de jovens professores, doutores em sua grande maioria, parece não aceitar sem questionamentos esse lado perverso do Reuni, que quer assemelhar universidades públicas àquelas onde viceja o ProUni.
Dando aulas muitas vezes em galpões, sem salas de professores (quando há, sem condições de pesquisar), os docentes, cujos adoecimentos e padecimentos, para não falar de mortes, não param de se ampliar, decretaram uma ampla e massiva greve nas federais.
Querem melhores salários, condições de trabalho dignas e carreira efetivamente estruturada.
Os conservadores dizem, tentando mascarar o desejo pela completa privatização, que a greve dos docentes públicos é uma forma de "receber sem trabalhar". "Esquecem" algo elementar: qual docente, no juízo razoável de suas faculdades, quer arrebentar seu calendário e repor aulas quando deveria estar em férias?
Só mesmo as vozes conservadoras podem identificar uma greve, com suas atividades, assembleias, debates, desgastes, riscos e tensões, como "descanso remunerado", argumento histórico das direitas derrotado pela Constituição de 1988.
Para muitas dessas vozes, a pesquisa e a reflexão livres incomodam. Elas gostariam de privatizar as federais, convertendo-as ou em universidades profissionalizantes ou, ao menos parte delas, em "universidades corporativas", uma flagrante contradição, pois universalidade não rima com corporação.
Há um segundo ponto importante: muitos alegam que é preciso investir no ensino básico, o que os leva a recusar o apoio à universidade pública. Mas alguém seriamente acredita que aqueles que querem destroçar a universidade pública querem, de fato, um ensino básico público, laico e de qualidade?
Ricardo Antunes, 59, é professor titular de sociologia na Unicamp e autor de "O Continente do Labor" (Boitempo)
Fonte: Folha de S.Paulo (6/8/2012)
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